quinta-feira, 8 de março de 2012











http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=HTFlbcmUvUA
















Mulher, simples assim!

Me diz: qual outra criatura é assim?
Simplesmente um abismo de doçura
Cabelos em ventania; cheira jasmim
Tem a imensidão do mar de ternura!

Me diz: qual outra criatura se iguala?
A nada e ninguém se faz comparação
Esse compasso de gestos, atitude fala
Batom nos lábios à mostra o coração!

Qual outra criatura tem essa imagem?
Qual ser possui delicadeza e coragem,
Que gera uma vida, dela é a passagem?

Qual a criatura é agente de inspiração?
Qual ser fazer jus a mais bela canção?
Mulher, mãe do pai, parto da criação!

ღRaquel Ordonesღ 
Uberlândia MG 08/03/2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


Vivo nos ares.
Um ser de espírito viajante, com gosto pela mudança e pelo movimento, com necessidade de me mexer e de encontrar o caminho livre.
Um ser frágil, ágil, flexível, leve,
engenhosa, adaptável, epidérmica.
Sou camaleoa, envolvo-me em mil atividades.
Sou travessa, instável, leve. Presente ao mesmo
tempo em todo e nenhum lugar.
" ALMA CIGANA " !

Eu nunca fiz segredo
que a minha alma é cigana
perambula pelo mundo
dança, canta, e não engana.

Ela vê a sua sorte
se assim o desejar
mas não lhe fala de morte
pois segue essa linear.

A minha sorte eu não sei
ver, eu nunca consegui
mesmo sendo tão cigana
não sei nem se eu já morri.

E da minha liberdade
que a prezo mais que tudo
pois cigana de verdade
não se prende nesse mundo!

Quem me conhece já sabe
gosto de vermelho forte
nas minhas saias rodadas
que dos dois lados tem cortes.

Assim vou sendo feliz
do meu jeito tão singular
que pouca gente me entende
mas não lhes deixo de amar!
12/02/2012
UM DIA MUIIIIIIIIIITO FELIZ....QUE SE SEGUIRÁ DE MUIIIIITOS DIAS FELIZES....

domingo, 29 de janeiro de 2012

ODE AO AMOR


Ode ao Amor





(1)
Canto-te, imenso Amor, na pérola-céu
     Reluzente e esculpida do barro,
Qual douta ave de amarelo-véu
     Cores derrama de um belo jarro.
Desperto. Ninho-envolvido à colmeia  
     Donde és-me recanto de pazes:          
          Sonhares & danças ao Sol,
                Raios-rubis dons-de-deia,
          & minha voz turvo-mel – rouxinol –    
     Refrescam o solo em que jazes.


(2)
Nada direi para do amor dizer!
     Quero-o, até à morte, profundo,
Ao meu, fundindo, o teu Ser,      
    Tornando “não” em “sim”, no mundo.
Se for teu mundo é também meu.    
     Vês à queima paisagens fogo-luz?
          Bailam folhas-de-ar em melodias.                
               Saibas, guardo tanto de ti, outro-eu.
          Meu avesso é isto que profecias?
     Dúvida que molda minha cruz.


(3)
Ouço-o da relva, se Amor não digo.
     Em regras, breve corpo, inexiste.
Desce das estrelas, amigo antigo,    
     & do suave lacrimar consiste.
Deserta-me o lírio-almíscar, quente; 
     Êxtase oloroso me silencia e viola.                 
          Vozes à Poesia clamam – nua, adentre!
               & de um som tremulando, longamente,
          Transcria-me qual ave plúmeo-sonora.
     No parto, jorra o Sol de teu ventre.


(4)
Atinges – por que razão?  colinas de corpos,
     Emanando demoníacas máscaras de tristeza
& louvas deidades, Amor, com buquês de lótus,

     Cá na terra, fendes abismos-de-beleza.
Divos e mortais, porém, da nebulosa Paixão
     Tua quietude ao esquecimento distrai
          & à solitude os seduz, no pranto do gozo;
               Durmo & de mim a melancolia se esvai.
          Não fosses a razão deste escrever animoso,
      Doaria à Moira, em vigor, este coração.


(5)
Dizer-te do Amor, a sós, com a Poesia;
     Mas o Outro é limite: selvagens umbrais.
Estar junto é estar sem poemas, filosofia,
     Em que outra estação serviriam, estivais?
 Minh’alma é selva inóspita e inteira  
     - O que serve às palavras senão a distância?
          É por isso que existe nas letras dor.
               - Lágrimas, dádivas de grandeza passageira,
          Caem-me como flores em abundância.
     À Poesia: ausência. E à distância, o amor.

MOVIMENTO


movimento



Que fazer com esta matéria
De brancura arvorada;
Transformá-la em raiz celeste,
Em chão nenhum fincá-la?

Entre lampejos de azul
Subverto-a do inaparente,
Sobre o peso do mar
Cintila inversa a mim.

Há muito não reparo
Nas nuvens como coleções
Pensantes, vívidas da Ideia
(Ideia antiespelho de si)

Recolhidas no corte
Que rasga e une-me   
Sob múltiplas máscaras
De um mesmo Édipo!

Habita, dentre à nuvem,
Outra nuvem de mil curvas,
Palavra-sombra, bruta,
Na esperança quase-vidro,

Mas fosca em negro oculto,
Versejando à solidão corpórea
Das esferas de símbolos
Suntuosos por tudo ousar.

Entrevejo amena matiz
Do sumo sorvendo-me
A vida gota-a-gota e dentro
De mim, o movimento.


27.
Reinventando A Lua

Alta noite. Vizualizo em pequenas tochas Antares e Sírius.
Flores astrais que desabrocham na ribalta do céu luzente. 
No cais da galáxia atracam luzes; parecem cadentes lírios.
Quisera saber como se colhe a estrela que cai de repente.

E... Penso que bom seria andar com os pés da imaginação.
Naquele quintal azul suspenso peregrinar por sua láctea via,
pra acordar do sonho trazendo a Aldebarã na palma da mão.
Com calma borda alucinação em minhas retinas essa utopia.

Sem pressa delineio sensações que sobem na pele em flor.
Anseio distinguir cada rincão sideral e esboçar luminoso atlas.
Então depois de percorrer todos os rumos num lisérgico torpor
traço o êxodo das adversidades reinventando a lua... Agora lilás.

Rosemarie Schossig Torres