domingo, 29 de janeiro de 2012

MOVIMENTO


movimento



Que fazer com esta matéria
De brancura arvorada;
Transformá-la em raiz celeste,
Em chão nenhum fincá-la?

Entre lampejos de azul
Subverto-a do inaparente,
Sobre o peso do mar
Cintila inversa a mim.

Há muito não reparo
Nas nuvens como coleções
Pensantes, vívidas da Ideia
(Ideia antiespelho de si)

Recolhidas no corte
Que rasga e une-me   
Sob múltiplas máscaras
De um mesmo Édipo!

Habita, dentre à nuvem,
Outra nuvem de mil curvas,
Palavra-sombra, bruta,
Na esperança quase-vidro,

Mas fosca em negro oculto,
Versejando à solidão corpórea
Das esferas de símbolos
Suntuosos por tudo ousar.

Entrevejo amena matiz
Do sumo sorvendo-me
A vida gota-a-gota e dentro
De mim, o movimento.


27.

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